No entanto, essa discussão deve se dá no contexto que compreende a gestão da comunicação como fator de sucesso para as organizações. E, nesse sentido, destacam-se três aspectos: a gestão dos ativos intangíveis, a transparência e a responsabilidade social.
A responsabilidade social é tema permanente na pauta de organizações de todo mundo. No centro dessa discussão, está a necessidade de prestar contas à sociedade do custo social do processo produtivo, demonstrando como a sociedade está sendo compensada. E isso tudo para atender a uma nova mentalidade, emergente, de cidadãos consumidores, que se caracteriza pela consciência do seu poder de compra.
A transparência, como conduta de gestão, foi elevada à categoria de valor. Quem é socialmente responsável não tem porque não ser transparente. E, nessa perspectiva, a transparência é, essencialmente, atitude comunicacional.
A necessidade de fazer a gestão dos ativos intangíveis colocou as organizações diante do fato de que, tanto sua imagem, quanto à dos produtos e serviços que comercializa pode ser o bem mais caro que se possui. A marca mais valiosa do mundo está avaliada em 66 bilhões de dólares e pertence ao Google (BrandZ, 2006).
Esses aspectos têm levando as organizações não apenas a repensar suas práticas produtivas, mas a comunicá-las aos seus públicos de interesse, por meio de estratégias discursivas que evidenciam o seu diferencial, enquanto organização pública ou privada. E, para isso, é fundamental a adesão das pessoas que a integram e a revisão do modelo de gestão da informação, vigente.
Numa sociedade que, cada vez mais, utiliza a informação para auxiliar a tomada de decisões, quem não diz o que faz de modo estratégico, está fora. E dizer o que se faz, desse modo, implica o desenvolvimento de equipes comprometidas com a transparência, dispostas a analisar e expor, criticamente, seus resultados, compreendendo o impacto social da sua produção, criando alternativas compensatórias inovadoras e viáveis e, sobretudo, com visão estratégica de comunicação, o que implica abandonar a premissa de que reter informação é sinônimo de poder, para adotar aquela que pressupõe que, num ambiente de alta competitividade, o que diferencia as organizações é a forma como elas se comunicam com seus públicos de interesse.
*Márcia Andréia S. Almeida, é professora universitária, Jornalista especializada em Comunicação Empresarial e Mestre em Comunicação e Cultura pela UFRJ.